sábado, 7 de março de 2026

PENSAMENTO CASTRO ALVES * Partido Comunista dos Trabalhadores Brasileiros/PCTB

PENSAMENTO CASTRO ALVES
12 grandes poemas de Castro Alves
Rebeca Fuks
Doutora em Estudos da Cultura


O poeta baiano Castro Alves (1847-1871) fez parte da última geração romântica. O principal nome do Condoreirismo ganhou a fama de ser o Poeta dos Escravos por defender de corpo e alma o abolicionismo.

Um escritor engajado, motivado a defender os ideais de justiça e liberdade, Castro Alves faleceu aos apenas 24 anos, mas deixou uma vasta obra que merece ser estudada.
Poemas abolicionistas

Os poemas de Castro Alves que ficaram mais famosos foram aqueles que se debruçaram sobre o tema do abolicionismo. Com um tom panfletário, declamativo, o poeta os recitava em comícios e eventos.

Com um tom indignado, Castro Alves dissertava sobre temas políticos e sociais e cantava ideais liberais fazendo uma apologia à República e militando a favor da abolição da escravatura.

Em 1866, quando estava no segundo ano do curso de Direito, Castro Alves chegou a fundar, ao lado de Rui Barbosa e de amigos do curso da Faculdade de Direito, uma sociedade abolicionista.

Grande parte dessas composições engajadas foram influenciadas pela lírica do poeta francês Vitor Hugo (1802-1885).
1. O navio negreiro (trecho)


'Stamos em pleno mar... Doudo no espaço
Brinca o luar — dourada borboleta;
E as vagas após ele correm... cansam
Como turba de infantes inquieta.

'Stamos em pleno mar... Do firmamento
Os astros saltam como espumas de ouro...
O mar em troca acende as ardentias,
— Constelações do líquido tesouro...

'Stamos em pleno mar... Dois infinitos
Ali se estreitam num abraço insano,
Azuis, dourados, plácidos, sublimes...
Qual dos dois é o céu? qual o oceano?...

Conheça uma análise completa do poema O Navio Negreiro, de Castro Alves
2. Ode ao dois de julho (trecho)

recitado no Teatro de S.Paulo


Não! Não eram dois povos, que abalavam
Naquele instante o solo ensangüentado...
Era o porvir—em frente do passado,
A Liberdade—em frente à Escravidão,
Era a luta das águias — e do abutre,
A revolta do pulso—contra os ferros,
O pugilato da razão — com os erros,
O duelo da treva—e do clarão!...

No entanto a luta recrescia indômita...
As bandeiras — como águias eriçadas —
Se abismavam com as asas desdobradas
Na selva escura da fumaça atroz...
Tonto de espanto, cego de metralha,
O arcanjo do triunfo vacilava...
E a glória desgrenhada acalentava
O cadáver sangrento dos heróis!...
3. Canção do africano (trecho)


Lá na úmida senzala,
Sentado na estreita sala,
Junto ao braseiro, no chão,
Entoa o escravo o seu canto,
E ao cantar correm-lhe em pranto
Saudades do seu torrão ...

De um lado, uma negra escrava
Os olhos no filho crava,
Que tem no colo a embalar...
E à meia voz lá responde
Ao canto, e o filhinho esconde,
Talvez pra não o escutar!

"Minha terra é lá bem longe,
Das bandas de onde o sol vem;
Esta terra é mais bonita,
Mas à outra eu quero bem!

Poemas de cunho social

Em grande parte dos poemas de Castro Alves encontramos um eu-lírico que questiona o mundo e se pergunta qual é o seu lugar nele. Ao avesso da geração romântica que o antecedeu (que se debruçava nos dramas do próprio indivíduo), aqui o sujeito poético olha ao redor e tenta provocar mudanças na sociedade.

O eu-lírico questiona a justiça e procura cantar a liberdade de imprensa e de modo geral. Esse tipo de poética, carregada de um discurso político, era feita com a intenção de ser declamada em salões e fazia uso de um discurso retórico.

Muito verborrágica, inflamada, a poesia fazia uso de hipérboles, antíteses e metáforas, e continha um exagero de palavras e de imagens.

Essa poesia comprometida, em sintonia com o projeto condoreirista, procurava influenciar o leitor, mobiliza-lo, fazendo com que ele tomasse atitudes concretas no mundo real.

Foi durante a faculdade que Castro Alves passou a se envolver com o ativismo escrevendo em periódicos universitários. Em 1864 esteve envolvido inclusive num comício republicano que foi rapidamente abafado pela polícia.
4. O livro e a América (trecho)


Talhado para as grandezas,
P'ra crescer, criar, subir,
O Novo Mundo nos músculos
Sente a seiva do porvir.
—Estatuário de colossos —
Cansado doutros esboços
Disse um dia Jeová:
"Vai, Colombo, abre a cortina
"Da minha eterna oficina...
"Tira a América de lá".

Molhado inda do dilúvio,
Qual Tritão descomunal,
O continente desperta
No concerto universal.
5. Pedro Ivo (trecho)


República!... Vôo ousado
Do homem feito condor!
Raio de aurora inda oculta
Que beija a fronte ao Tabor!
Deus! Por qu'enquanto que o monte
Bebe a luz desse horizonte,
Deixas vagar tanta fronte,
No vale envolto em negror?!...

Inda me lembro... Era, há pouco,
A luta!... Horror!... Confusão!...
A morte voa rugindo
Da garganta do canhão!..
O bravo a fileira cerra!...
Em sangue ensopa-se a terra!...
E o fumo — o corvo da guerra —
Com as asas cobre a amplidão...

Poemas de amor

Na lírica amorosa Castro Alves transparece o poder da paixão que move a escrita e a intensidade do afeto. Encontramos ao longo dos versos um eu-lírico encantado pelo seu objeto de desejo não só no plano físico como também no intelectual.

Como poeta romântico, ao contrário do que produziu a sua geração, nota-se uma pulsão para realizar o amor carnal. Lemos, portanto, uma poesia muitas vezes sensual, sensorial. Ao avesso de outros poetas românticos, aqui o amor é realizado, reverbera na prática, se concretiza.

Há nesses poemas uma inegável influência autobiográfica. Muitos dos versos de louvação da mulher amada foram compostos em homenagem à famosa atriz portuguesa Eugênia Câmara, dez anos mais velha que o rapaz, seu primeiro e grande amor.
6. O gondoleiro do amor


Teus olhos são negros, negros,
Como as noites sem luar...
São ardentes, são profundos,
Como o negrume do mar;

Sobre o barco dos amores,
Da vida boiando à flor,
Douram teus olhos a fronte
Do Gondoleiro do amor.

Tua voz é cavatina
Dos palácios de Sorrento,
Quando a praia beija a vaga,
Quando a vaga beija o vento.

E como em noites de Itália
Ama um canto o pescador,
Bebe a harmonia em teus cantos
O Gondoleiro do amor.
7. Adormecida (trecho)


Uma noite eu me lembro... Ela dormia
Numa rede encostada molemente...
Quase aberto o roupão... solto o cabelo
E o pé descalço do tapete rente.

'Stava aberta a janela. Um cheiro agreste
Exalavam as silvas da campina...
E ao longe, num pedaço do horizonte
Via-se a noite plácida e divina.

De um jasmineiro os galhos encurvados,
Indiscretos entravam pela sala,
E de leve oscilando ao tom das auras
Iam na face trêmulos — beijá-la.
8. Onde estás (trecho)


É meia-noite. . . e rugindo
Passa triste a ventania,
Como um verbo de desgraça,
Como um grito de agonia.
E eu digo ao vento, que passa
Por meus cabelos fugaz:
"Vento frio do deserto,
Onde ela está? Longe ou perto? "
Mas, como um hálito incerto,
Responde-me o eco ao longe:
"Oh! minh'amante, onde estás?...

Vem! É tarde! Por que tardas?
São horas de brando sono,
Vem reclinar-te em meu peito
Com teu lânguido abandono!...
'Stá vazio nosso leito...

9. O vôo do gênio (trecho)


A ATRIZ EUGÊNIA CÂMARA

Um dia em que na terra a sós vagava
Pela estrada sombria da existência,
Sem rosas—nos vergéis da adolescência,
Sem luz d'estrela—pelo céu do amor;
Senti as asas de um arcanjo errante
Roçar-me brandamente pela fronte,
Como o cisne, que adeja sobre a fonte,
As vezes toca a solitária flor.
Poemas autocentrados

A lírica de Castro Alves bebia muito da experiência de vida do autor. O poeta teve uma história dura, ficou órfão de mãe aos 12 anos e viu o irmão tirar a própria vida quando ainda era jovem. Muito dessa dor pode ser lida nos seus poemas mais autocentrados, que transparecem um evidente traço autobiográfico.

Em grande parte dos seus versos identificamos um eu-lírico solitário, ensimesmado, com muitas fases deprimidas e angustiadas (especialmente quando a vida amorosa corria mal).

Nos poemas também encontramos o seu lado ativista e político e observamos como Castro Alves foi um sujeito a frente do seu tempo defendendo o fim da escravatura e demonstrando ser um amante da liberdade acima de todas as coisas.

Outra característica que merece ser ressaltada na sua poética é a forte presença da doença, que teve de enfrentar desde muito cedo, e também a imagem da morte, que o atravessou desde a infância com a perda da mãe.
10. Quando eu morrer (trecho)


Quando eu morrer... não lancem meu cadáver
No fosso de um sombrio cemitério...
Odeio o mausoléu que espera o morto
Como o viajante desse hotel funéreo.

Corre nas veias negras desse mármore
Não sei que sangue vil de messalina,
A cova, num bocejo indiferente,
Abre ao primeiro o boca libertina.

Ei-la a nau do sepulcro—o cemitério...
Que povo estranho no porão profundo!
Emigrantes sombrios que se embarcam
Para as plagas sem fim do outro mundo.
11. Canção do boêmio (trecho)


Que noite fria! Na deserta rua
Tremem de medo os lampiões sombrios.
Densa garoa faz fumar a lua,
Ladram de tédio vinte cães vadios.

Nini formosa! por que assim fugiste?
Embalde o tempo à tua espera conto.
Não vês, não vós?... Meu coração é triste
Como um calouro quando leva ponto.

A passos largos eu percorro a sala
Fumo um cigarro, que filei na escola...
Tudo no quarto de Nini me fala
Embalde fumo... tudo aqui me amola.

Diz-me o relógio cinicando a um canto
"Onde está ela que não veio ainda?"
Diz-me a poltrona "por que tardas tanto?
Quero aquecer-te rapariga linda."

12. Mocidade e morte (trecho)


Oh! Eu quero viver, beber perfumes
Na flor silvestre, que embalsama os ares;
Ver minh'alma adejar pelo infinito,
Qual branca vela n'amplidão dos mares.
No seio da mulher há tanto aroma...
Nos seus beijos de fogo há tanta vida...
Árabe errante, vou dormir à tarde
A sombra fresca da palmeira erguida.

Mas uma vez responde-me sombria:
Terás o sono sob a lájea fria.

Morrer... quando este mundo é um paraíso,
E a alma um cisne de douradas plumas:
Não! o seio da amante é um lago virgem...
Quero boiar à tona das espumas.
Vem! formosa mulher—camélia pálida,
Que banharam de pranto as alvoradas.
Minh'alma é a borboleta, que espaneja
O pó das asas lúcidas, douradas...
Biografia de Castro Alves (1847-1871)

Antônio de Castro Alves nasceu no dia 14 de março de 1847 na Fazenda Cabaçeiras (cidade de Curralinho, Estado da Bahia).

Era filho de um médico e professor universitário (Antônio José Alves) e ficou órfão de mãe (Clélia Brasília da Silva Castro) quanto tinha apenas 12 anos.

Depois do falecimento de Clélia, a família se mudou para Salvador. Castro Alves também viveu no Rio de Janeiro, no Recife e em São Paulo.

A família do poeta tinha um histórico de ativismo político e havia oferecido combatentes tanto no processo de independência da Bahia (em 1823) quanto na Sabinada (1837). Em 1865, o jovem publicou o poema A canção do africano, a sua primeira composição abolicionista.


No ano a seguir, Castro Alves começou a escrever para o jornal O Futuro, enquanto cursava a Faculdade de Direito, em Recife. Ao longo desse período declamou uma série de poemas da sua autoria e mobilizou os jovens para a questão política.

O autor ficou conhecido como o poeta dos escravos por defender o fim da escravatura. Ao lado de amigos, Castro Alves chegou a fundar uma sociedade abolicionista. Foi também um progressista, um defensor convicto da liberdade e da República.

O poeta se apaixonou pela atriz portuguesa Eugênia Câmara, dez anos mais velha. A breve relação motivou a escrita de uma série de poemas de amor. Com Eugênia o escritor viveu um relacionamento conturbado, profundamente marcado pelo ciúme, que se iniciou em 1866 e terminou dois anos mais tarde.

Castro Alves faleceu no dia 6 de julho de 1871, aos apenas 24 anos, vítima de tuberculose. O escritor se tornou o patrono da cadeira número 7 da Academia Brasileira de Letras.
Castro Alves, o poeta dos homens livres

Urariano Mota/Vermelho


Foram 24 anos de vida onde não caberia uma obra eterna, em qualquer pessoa no mundo. Ele, que tantas vezes foi chamado de “o poeta dos escravos”, em equívoco e preconceito insultuosos, é, pelo contrário, o poeta dos homens livres.

“Existe um povo que a bandeira empresta

P’ra cobrir tanta infâmia e cobardia!”

Castro Alves nasceu em 14 de março de 1847 e faleceu em 6 de julho de 1871. Foram 24 anos de vida onde não caberia uma obra eterna, em qualquer pessoa no mundo. Ele, que tantas vezes foi chamado de “o poeta dos escravos”, em equívoco e preconceito insultuosos, é, pelo contrário, o poeta dos homens livres. E por falar em preconceito, não é demais lembrar que a posteridade lhe deu traços de homem branco, assim como se fez com Machado de Assis, Padre Vieira, e outros gênios. Em dúvida, olhem o seu retrato de homem da pele do Brasil e transformado em homem branco para os livros didáticos dos estudantes brasileiros.

Há um preconceito de séculos que reescreve a sua história, de poeta dos escravos a poeta branco. Mas o que importa agora, nestas linhas, é o seu lugar de poeta de homens e mulheres livres, e do seu lugar único na poesia brasileira.

Machado de Assis escreveu sobre o gênio de Castro Alves em fevereiro de 1868, isso quando o poeta ainda possuía 20 anos:

“A musa do Sr. Castro Alves tem feição própria. Se se adivinha que a sua escola é a de Vítor Hugo, não é porque o copie servilmente, mas porque uma índole irmã levou-o a preferir o poeta das Orientais ao poeta das Meditações. Não lhe aprazem certamente as tintas brancas e desmaiadas da elegia; quer antes as cores vivas e os traços vigorosos da ode. Como o poeta que tomou por mestre, o Sr. Castro Alves canta simultaneamente o que é grande e o que é delicado, mas com igual inspiração e método idêntico; a pompa das figuras, a sonoridade do vocábulo, uma forma esculpida com arte, sentindo-se por baixo d’esses lavores o estro, a espontaneidade, o ímpeto. Não é raro andarem separadas estas duas qualidades da poesia: a forma e o estro. Os verdadeiros poetas são os que as têm ambas. Vê-se que o Sr. Castro Alves as possui; veste as suas ideias com roupas finas e trabalhadas… “.


Manuel Bandeira, um dos maiores poetas brasileiros de todos os tempos, analisou definitivo a poesia de Castro Alves:

“Ao livro ‘Os Escravos’ pertenceriam ‘Vozes d’África’ e ‘O Navio Negreiro’, os dois poemas em que o poeta atingiu a maior altura de seu estro. O que indignava o poeta era ver que o Novo Mundo, ‘talhado para as grandezas, pra crescer, criar, subir’, a América, que conquistara a liberdade com formidável heroísmo, se manchava no mesmo crime da Europa.

Em Castro Alves, o épico social desmedindo-se em violentas antíteses, em retumbantes onomatopeias. A este último aspecto há que levar em conta a intenção pragmática dos seus cantos, escritos para serem declamados na praça pública, em teatros ou grandes salas —, verdadeiros discursos de poeta-tribuno…. E há que reconhecer nele…. a maior força verbal e a inspiração mais generosa de toda a poesia brasileira”.

Em mais de um lugar já li que é importante um escritor evitar o engajamento panfletário. Falam até que a literatura engajada é a antiliteratura (!!!). Mas essa opinião sobre literatura engajada é comum em novas gerações acadêmicas, que reduzem a visão do mundo da arte a “linguagem”. A defesa da vida, segundo os participantes da nova onda, deve ficar para o discurso político, em outra instância e lugar. E assim caminham para uma literatura asséptica, de palavras em sua pura ausência da realidade suja, fora da defesa de pessoas e do mundo.

Mas o que é o engajamento panfletário? Será aquele em que a revolta contra a ordem injusta do mundo aparece nas páginas de uma obra? Então haveríamos de expurgar do conhecimento humano um poema como O Navio Negreiro. E aqui bem caberia a ressalva de que toda grande obra literária é panfletária, que nos perdoem os mais puros estetas. Mas este não é ainda o momento de mostrar o panfletário em Tolstói, Graciliano Ramos, Drummond, e até mesmo em Machado de Assis, pasmem

No entanto, mais de um crítico já considerou o verso “brisa do Brasil beija e balança” como um dos mais belos de toda a língua portuguesa. Trata-se de uma aliteração, que repete o B, bela e magnífica, sem dúvida, Mas prefiro outros versos do poema.

Há escritores que são lembrados por uma só obra, embora tenham escrito outras. Quem me chega de imediato à memória é Juan Rulfo, com o seu imortal Pedro Páramo. Na poesia brasileira, para não cometer o sacrilégio de lembrar João Cabral de Melo Neto apenas, “apenas” por Morte e Vida Severina, temos Augusto dos Anjos com Eu e Outras Poesias, que foi mesmo o seu livro único. Mas no caso de Castro Alves, autor de tantos poemas, para expressar melhor a sua altura e gênio, bastaria lembrar O Navio Negreiro. “Bastaria” com muitas aspas, se fosse possível. Pois já no começo do seu fundamental e inesquecível poema, Castro Alves prepara o voo para uma altura até hoje nunca alcançada por nenhum poeta brasileiro:

“Albatroz! Albatroz! dá-me estas asas”

Esse chamamento não é passageiro, retórico vazio. Pois logo veremos por que Castro Alves pede as asas do albatroz em lugar dos deuses invocados por outros poetas.

“Desce do espaço imenso, ó águia do oceano!

Desce mais… inda mais… não pode olhar humano

Como o teu mergulhar no brigue voador!

Mas que vejo eu aí… Que quadro d’amarguras!

É canto funeral!… Que tétricas figuras!…

Que cena infame e vil… Meu Deus! Meu Deus! Que horror!….

Senhor Deus dos desgraçados!

Dizei-me vós, Senhor Deus!

Se é loucura… se é verdade

Tanto horror perante os céus?!

Ó mar, por que não apagas

Co’a esponja de tuas vagas

De teu manto este borrão?…

Astros! noites! tempestades!

Rolai das imensidades!

Varrei os mares, tufão! ….”

E que altura o poeta atinge:. Eu escrevi dois pontos após a frase anterior, mas o que merece é ponto de exclamação: que altura o poeta atinge!

“Existe um povo que a bandeira empresta

P’ra cobrir tanta infâmia e cobardia!…

E deixa-a transformar-se nessa festa

Em manto impuro de bacante fria!…

Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,

Que impudente na gávea tripudia?

Silêncio. Musa… chora, e chora tanto

Que o pavilhão se lave no teu pranto!…

Auriverde pendão de minha terra,

Que a brisa do Brasil beija e balança,

Estandarte que a luz do sol encerra

E as promessas divinas da esperança…

Tu que, da liberdade após a guerra,

Foste hasteado dos heróis na lança

Antes te houvessem roto na batalha,

Que servires a um povo de mortalha!…

Fatalidade atroz que a mente esmaga!

Extingue nesta hora o brigue imundo

O trilho que Colombo abriu nas vagas,

Como um íris no pélago profundo!

Mas é infâmia demais!… Da etérea plaga

Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!

Andrada! arranca esse pendão dos ares!

Colombo! fecha a porta dos teus mares”

Nós, homens comuns, quase diria, nós, homens vulgares em mais de um sentido, bem que podíamos melhorar nossa estatura humana com a admiração ao poeta dos homens e mulheres livres. Salve a sua poesia, salve a sua genial indignação, salve a sua grande arte, salve a sua poesia engajada. Numa palavra, salve Castro Alves!

FONTES


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domingo, 1 de março de 2026

PENSAMENTO MUAMMAR AL-KADAFI * Partido Comunista dos Trabalhadores Brasileiros/PCTB

PENSAMENTO MUAMMAR AL-KADAFI
A Honra Reconquistada de Muammar al-Kadafi
Por 
Mário Maestri*

Muammar Abu Minyar al-Kadafi caiu combatendo na defesa da independência nacional de sua nação. Resistiu, cidade por cidade, quarteirão por quarteirão, casa por casa, até ficar encurralado com seus derradeiros companheiros e companheiras, feras indomáveis, nos poucos metros de terra líbia livre. Como dissera, enfrentou até a morte, irredutível, a coligação das mais poderosas nações imperialistas ocidentais. Ferido, foi preso, achincalhado, arrastado, torturado e, já moribundo, assassinado.

Em torno dele desencadernava a canalha armada e excitada que se banqueteava, havia semanas, rapinando, executando, violando a população da cidade heróica de Sirte, arrasada por sua resistência à recolonização do país. Sirte, no litoral mediterrânico, com mais de 130 mil habitantes, foi sede de universidade pública, destruída, e do terminal do impressionante rio artificial que retira as águas fósseis do deserto do Saara para aplacar a sede das populações e agricultura líbia.

Nas últimas cidades rebeldes, encanzinados franco-atiradores, homens e mulheres, jovens e adultos, foram calados com o arrasamento pela artilharia pesada dos prédios em que se encontravam. Estradas, portos, centrais elétricas e telefônicas, quartéis, escolas, creches, hospitais, aeroportos, estações televisivas e radiofônicas, a infra-estrutura do país construída nas últimas quatro décadas, foi arrasada por seis meses de ataques aéreos, navais e missilísticos – mais de cinqüenta mil bombas! –, responsáveis por enorme parte dos talvez cinqüenta mil mortos, em população de pouco mais de seis milhões de habitantes.

A lúgubre paz dos cemitérios reina finalmente sobre a Líbia submetida. Quarenta e dois anos após a conquista de sua independência nacional, a Líbia retorna ao controle neocolonial do imperialismo inglês e francês, que se dividiram a hegemonia sobre o país após a 2ª Guerra, que pôs fim à dura dominação colonial da Itália fascista. Tudo, é claro, sob a vigilância impassível da hiena estadunidense.

Em 1969, o então jovem coronel Muammar, com 27 anos, chegava do deserto para comandar o golpe de jovens militares pela independência e unidade da Líbia, animado pelas esperançosas idéias do pan-arabismo de corte nacionalista e socialista. Do movimento surgiu um Estado laico, progressista e anti-imperialista, que nacionalizou os bancos, as grandes empresas e os recursos petrolíferos do país.

Quarenta e três anos mais tarde, Kadafi cai simbolizando os mesmos ideais. Com sua morte, expia dramática e tardiamente sua irresponsável tentativa de acomodação às forças do imperialismo, empreendida após a vitória mundial da contra-revolução liberal.

Quem abraça o demônio, jamais dirige a dança! Foi o movimento de privatizações, de “austeridade”, de abertura ao capital mundial, de apoio às políticas imperialistas na África etc., sob os golpes da crise mundial, o grande responsável pela perda de consenso social de ordem que, no contexto de suas enormes contradições, realizara a mais ampla e democrática distribuição popular da renda petroleira das nações arábico-orientais.

Por décadas, ao contrário do que ocorria com tunisianos, argelinos, egípcios etc., não se viu na Europa um líbio à procura de um trabalho que encontrava em seu país. Ao contrário, o país terminou como destino de forte imigração de trabalhadores da África negra subsaariana, atualmente maltratados, torturados, executados por membros das “tropas revolucionárias” arregimentadas pelo imperialismo, sob a desculpa de serem os “mercenários” de Kadafi.

A intervenção na Líbia não procurou apenas recuperar o controle direto das importantes reservas petrolíferas pelo imperialismo inglês, francês e estadunidense. Objetivou também assentar golpe mortal na revolução democrática e popular do norte da África, mostrando a capacidade de arrasar implacavelmente qualquer movimento de autonomia real. Com uma Líbia recolonizada, espera-se construir plataforma de intervenção regional, que substitua o hoje convulsionado Egito.

A operação líbia significou também conquistas marginais, além do controle do petróleo, da disposição de sufocação da revolução democrático-popular árabe, da construção de plataforma imperialista na região. Enormes segmentos da esquerda mundial, sem exceção de grupos auto-proclamados radicais, embarcaram-se no apoio de fato à intervenção imperialista, defendendo graus diversos da sui-generis proposta de estar com o “movimento revolucionário” líbio e contra o imperialismo que o criara e sustentara. Aplaudiam as bombas que choviam sobre o país, propondo que não sustentavam a intervenção da OTAN!

Para não se distanciarem da opinião pública sobre o governo líbio e os sucessos atuais, construída pela tradicional subordinação e hipocrisia da grande mídia mundial, seguiram na saudação das forças “revolucionárias líbias”, como se não fossem meras criaturas da intervenção imperialista, como demonstraram – e seguirão demonstrando – inapelavelmente os fatos! Os revolucionários líbios não avançaram um metro nos combates sem o aterrador apoio aéreo e a seguir terrestre da OTAN. Em não poucos casos, também como fizera Kadafi nos últimos tempos, procuram consciente ou inconscientemente acomodar-se à besta imperialista.

* Mário Maestri sul-rio-grandense é professor do curso e do Programa de Pós-Graduação em História da UFF.
10 FATOS IMPORTANTES DA HISTÓRIA DE MUAMMAR AL-KADAFI
VERDADES DA ÁFRICA
KADAFI ASSUME O PODER
ASSAD E KADAFI

Nascido no ano de 1942, Muammar al-Gaddafi foi um dos mais importantes e influentes líderes da Líbia. Seu caráter nacionalista, pelo qual era conhecido, ganhou destaque logo em sua juventude por se organizar em um movimento revolucionário influenciado pelas ideias de Gamel Abdel Nasser e de posição anti-imperialista.

A tomada do poder veio no ano de 1969, onde a crise do governo propiciou a sua derrubada por tropas nacionalistas, que obrigaram o governo a renunciar.

O contexto de tal crise é comum a vários países da região. Sob forte controle dos interesses imperialistas, as grandes riquezas do país eram praticamente todas exportadas, como no caso do petróleo, porém sem trazer reais ganhos a população. Além disso, o estado ditatorial da época atacava profundamente a população, enquanto sedia as potências estrangeiras. A soma de todos esses fatores levou a uma grande crise entre o regime e o povo líbio.

Com um desenvolvimento desses, era inevitável que as tropas revolucionárias, setor mais organizado politicamente da sociedade líbia, viessem a tomar a frente da situação, assumindo assim o espaço político deixado pelo então governo de Idris I.


Gaddafi (centro) em 1969, junto ao presidente egípcio Gamal Abdel Nasser (esquerda) e o presidente sírio Nureddin al-Atassi (direita)

Após a tomada do poder, Gaddafi se torna o líder da revolução líbia, sendo tanto coronel quanto líder do governo, e assim expulsa as bases militares norte-americanas e inglesas, retirando com uma série de medidas as influências imperialistas em seu país e suas empresas que exploravam o povo.

Gaddafi também ficou conhecido por uma outra série de medidas populares, como a forte inclusão das mulheres na sociedade, grande crescimento econômico, grandes programas sociais e diversos direitos aos negros. Podemos também relembrar que a Líbia conseguiu o maior IDH do continente africano, além de ter a menor dívida pública do mundo.

Porém, a atuação do governo líbio após a tomada do poder também se deu em caráter internacional, com Gaddafi patrocinando importantes grupos como os Panteras Negras nos EUA, e grupos anti-imperialistas no Oriente Médio. Propondo a unidade dos estados da região, e declarando também o governo popular de Jamahiriya, sustentado pelo partido União Socialista Árabe.

Seu governo veio a durar por muitos anos, contudo, com a crise aumentando cada vez mais com os países imperialistas, a Líbia, junto a outros tantos países da região, passaram a sofrer ataques que saiam da esfera meramente econômica. Em 2011, Gaddafi foi assassinado, a Líbia destruída por uma invasão financiada sobretudo pelos Estados Unidos e a França, e o governo do país divido em dois.

Devido a isto, a Líbia, país que passou por grande desenvolvimento, conciliando os interesses da burguesia líbia com sua população, enfrentando assim o imperialismo com um governo nacionalista, agora é nada mais é que um país completamente destruído, extremamente pobre, onde o imperialismo saqueou totalmente.

O país que um dia teve o melhor IDH da Africa, hoje sobrevive o tráfico de escravos, mostrando de forma evidente do que é capaz o imperialismo que invade esses países sob o pretexto de “levar a democracia”.

FONTE
UM KADAFI VALE MAIS QUE 100 OBAMAS
MUAMMAR AL-KADAFI VIVE
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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

PENSAMENTO JOSÉ MARTI * Partido Comunista dos Trabalhadores Brasileiros/PCTB

PENSAMENTO JOSÉ MARTI
(1853-1895)
Poeta, escritor, orador e jornalista é cultuado em Cuba como o grande mártir da independência do país em relação à Espanha. Para ele, a luta deveria ser uma verdadeira transformação cubana em todos os aspectos: econômico, político e social. Os ideais de Martí, junto com o marxismo-leninismo, guiam a política de Cuba até hoje.Filho de José Julián Martí y Perez, espanhol de Valencia, e Leonor Pérez Cabrera, das Ilhas Canárias, José Martí é natural de Havana.

Aos 16 anos, influenciado pelas idéias separatistas de seu professor, o poeta Rafael Maria de Mendive, publica seu primeiro drama patriótico em versos, o Abdala, no único número do jornal La Pátria Libre. Este período é marcado pelo início da primeira luta pela soberania de Cuba, que ficou conhecida como a Guerra dos Dez Anos (1868-1878), a qual Martí apóia publicamente.
Martí foi preso por seus ideais revolucionários e condenado a seis anos de trabalhos forçados por sua participação política. Durante seis meses fica retido em uma pedreira perto de Havana.

Devido a sérios problemas de saúde agravados no cárcere e por conta dos esforços de sua mãe, consegue o indulto e é deportado para a Espanha em 1871, aos dezoito anos. Publica El Presídio Político en Cuba, o primeiro de muitos manifestos sobre a independência onde conta os horrores que passou nos presídios da ilha. Passa a articular com outros cubanos que estão fora da ilha e levanta o tema da independência na imprensa espanhola. Matricula-se ne Universidad Central, mas termina seus estudos na Universidad de Zaragoza, onde em 1874 é licenciado em Direito, Literatura, Filosofia e Letras. Muda-se para a França e em 1875 para o México, onde casa com Carmen Zayas Bazón. Em 1877 vai para a Guatemala, onde leciona na Universidad Nacional. Volta a Cuba em 1878, com o fim da Guerra dos Dez Anos, mas é novamente deportado no ano seguinte por suas atividades revolucionárias na chamada Guerra Chiquita, que durou até 1880. Vai para os Estados Unidos e vive entre 1881 e 1895 em Nova Iorque.

Fundou o Partido Revolucionário Cubano, sendo eleito para a organização pela luta da independência. No mesmo ano funda seu jornal diário separatista contra a dominação espanhola, o Patria. Dois anos depois é nomeado cônsul do Uruguai, mas logo após renuncia por causa de sua atividade política.

Neste período – início do imperialismo norte americano – percebe a urgência em formar uma identidade americana e passa a usar o termo Nuestra América. No ano seguinte escreve – junto com o general Máximo Gómez, herói da independência – o Manifiesto de Monticristi, na ilha de Santo Domingo, onde propõe a guerra sem ódio. Volta a Cuba para articular a luta. A segunda etapa da guerra, iniciada em 1895, foi liderada por José Martí, Antônio Maceo e Calixto García. A luta ganhou força e fez com que os espanhóis buscassem soluções conciliatórias. Em fevereiro de 1878 fora assinado pelos revoltosos e pelas autoridades coloniais o Pacto de Zangón. O documento previa maior liberdade nas atividades comerciais em relação à Espanha e a abolição da escravatura. As decisões do acordo não foram cumpridas e o processo reformista ganhou força mais uma vez. José Martí encarregou-se de reagrupar os revoltosos. A luta armada é coordenada por Máximo Gomes e Antônio Maceo. Os combates são muito violentos. José Martí morre lutando em 19 de maio de 1895 após seu pequeno contingente de revoltosos deparar-se com as tropas espanholas no vilarejo de Dos Ríos. É mutilado pelos soldados e exibido à população. É sepultado em Santiago de Cuba.

ROTEIRO BIOGRÁFICO

Vida e Obra de José Martí: De 1 a 10 de janeiro

1º DE JANEIRO

Em 1º de janeiro de 1876, José Martí publicou uma crônica intitulada O Ano Novo em Madri na Revista Universal do México. Descreve o passeio de jovens e crianças pelas ruas da cidade espanhola e também as aventuras de um casal apaixonado. Ele comenta: “Até o ar, sendo vida – e a luz, - sendo tão bela, - atrapalham o amante”

Em 1877, na véspera de sua viagem de retorno a Cuba, José Martí escreveu cartas de Veracruz para seu amigo íntimo Manuel Mercado e para Nicolás Domínguez Cowan.

Ele diz a Mercado: “O destino o desafia, e provavelmente será derrotado em breve: - Vou finalmente para Havana, com documentos devidamente legais, e o nome de Julián Pérez, meus nomes do meio, com os quais me parece que estou me traindo menos: - é sempre bom ser, mesmo em casos graves, o menos hipócrita possível.” . E diz a Cowán: “Meus esforços foram inúteis e minha indecisão irrealizável: vou finalmente a Havana, munido de documentos devidamente legais, e com um nome tirado aqui de última hora, para desorientar aqueles que, com o meu jeito primitivo de pensar, teriam se preocupado com minha viagem, se tamanha má sorte merece esta necessária imprudência, e alguma alma malévola está aqui ocupada com isso.”

No ano seguinte, ele enviou uma carta a Manuel Mercado na qual falava sobre sua vida, poucos dias depois de ter se casado com Carmen Zayas Bazán.

Ele lhe diz: “Aqui estamos, Carmen com uma auréola, eu com amor e tristezas. Sua mais nobre tranquilidade oprime meu coração. “Cada um dos seus dias vale um dos meus anos.”

Em 1887, Martí publicou no La Nación de Buenos Aires, Argentina, uma crônica sobre as celebrações da Estátua da Liberdade , doada pelos franceses aos Estados Unidos.

Em sua obra ele reflete sobre o conceito de liberdade: “É terrível, liberdade, falar de si mesmo para aqueles que não te têm. Um animal derrotado por seu domador não dobra mais seus joelhos com raiva. A profundidade do inferno é conhecida, e de lá, em sua arrogância de sol, olha-se para o homem vivo. Ele morde o ar, como uma hiena morde o ferro de sua gaiola. O espírito se contorce no corpo como uma pessoa envenenada.

No mesmo dia, mas no ano seguinte, apareceu outra de suas contribuições no La Nación, abordando a guerra social em Chicago, a anarquia e a repressão, o conflito e seus homens, cenas extraordinárias, o choque, o julgamento, o cadafalso e os funerais.

Ele enfatiza na parte inicial de sua crônica: “Nem o medo da justiça social, nem a simpatia cega por aqueles que a tentam, devem guiar as pessoas em suas crises, nem aqueles que as narram. Só serve dignamente à liberdade aquele que, correndo o risco de ser tomado pelo seu inimigo, a preserva sem tremer daqueles que a comprometem com os seus erros.”

E em 1891 seu artigo Our America foi publicado na New York Illustrated Magazine.

Ele ressalta na parte inicial dessa análise que faz: “O vaidoso aldeão acredita que o mundo inteiro é sua aldeia, e enquanto ele continuar prefeito, ou atormentar o rival que lhe roubou a namorada, ou suas economias crescerem no cofrinho, ele já aceita a ordem universal, sem saber dos gigantes que estão há sete léguas nas botas e podem calçar-lhe as botas, ou da luta dos cometas no céu, que andam pelos ares adormecidos, engolindo mundos. O que resta da aldeia na América deve acordar. Não são tempos para ir para a cama com um lenço na cabeça, mas sim com as armas de um travesseiro, como os homens de Juan de Castellanos: as armas do julgamento, que derrotam os outros. “Trincheiras de ideias valem mais que trincheiras de pedra.”

Em 1894, ele escreveu uma carta a José Dolores Poyo. Ele afirma na parte de abertura: “Das muitas cartas que recebo quando desço do trem, a sua é uma das primeiras que abro e respondo imediatamente.”

2 DE JANEIRO

Em 2 de janeiro de 1877, José Martí embarcou para Havana no vapor Ebro, de Veracruz. Ele viaja semiclandestinamente, pois usa seu segundo nome e seu segundo sobrenome, ou seja, Julián Pérez, para se identificar.

Em 1882, publicou sua seção Constante em La Opinión Nacional de Caracas , na qual, entre outros tópicos, comentou as alusões feitas por jornais ingleses à última obra do naturalista Charles Darwin.

Ele ressalta que passou muito tempo estudando a inteligência dos vermes e acrescenta: “O naturalista se apaixonou pelos insetos que descreve, e vê esses pequenos animais cujos hábitos e espírito ele revela aos homens como veria suas próprias criaturas, às quais ele tem direito, porque ele realmente as criou para a ciência.”

Oito anos depois, ela escreveu uma carta a Gonzalo de Quesada, e lhe disse: “ Com o primeiro raio de sol, sua saudação de Ano Novo entrou hoje em meu quarto, e o sol não foi mais agradável para mim. Você está certo em me amar; Porque amando os outros se vence e se torna nobre, e porque é justo que aquele que vive sem fazer o mal receba algum carinho das pessoas de bem. Não desejo nenhuma outra recompensa, nem receberia tanto prazer de nenhuma outra. Durmo de olhos abertos, porque já sei que no mundo isso é preciso, e anda-se em armadilhas e redes; mas mantenha a pureza de coração.”

Em 1891, ele informou James G. Blaine, Secretário do Departamento de Relações Exteriores dos Estados Unidos, que o Governo da República Oriental do Uruguai o havia nomeado Delegado ao Congresso Monetário em Washington.

Em um dia semelhante em 1893, ele enviou uma comunicação a Teodoro Pérez, na Delegação do Partido Revolucionário Cubano em Key West.

Diz-lhe: “Aos incansáveis ​​serviços, de contínua discrição e oportunidade que Cuba vos deve, veio juntar-se a organização eficiente e econômica de um plano de loteria que em nossa pátria organizada rejeitaríamos sem dúvida, pela debilidade que produz no caráter do homem a esperança em outra fonte de bem-estar que não o esforço pessoal, mas que, diante do fato inevitável da loteria no exílio, onde o hábito dela beneficia nossas companhias inimigas ou indiferentes, é louvável e prudente estabelecer, como meio de abrir, tomando esses mesmos recursos da loteria da Espanha, uma fonte a mais que ajude a criar um estado de moralidade e trabalho onde se possa tentar suprimir proveitosamente o acaso, imoral ou debilitante, na vida do homem.”

Em 1894, ele escreveu uma breve carta a José González Curbelo, do Conselho Revolucionário da Filadélfia, na qual afirmava: “Não me parabenize pelo ano, mas pelo que faremos este ano. Neste exato momento em que finalmente sinto o resultado do meu trabalho – quando agora posso medir o tempo – quando a prova do que eu poderia ter duvidado está em minhas mãos, quando tudo o que eu desejava acontece e é feito, eu me volto para você como alguém digno de receber esta alegria e te abraço em silêncio.”

No ano seguinte, ele escreveu uma carta a Serafín Sánchez. Ele expressa sua satisfação com uma carta que lhe foi enviada por Máximo Gómez e comenta outros aspectos relacionados à organização da luta pela independência.

Também neste dia e ano, o jornal Patria publica a crônica de José Martí intitulada Manuel Barranco, sobre aquele camponês que, em sua ânsia de conhecimento, se tornou professor dos assistentes de La Liga.

Martí destacou: Barranco era sobre doação, sobre sair de si mesmo, sobre unir-se a outros homens, sobre sofrer com a alma ardente pela iniquidade humana e sobre se pôr a trabalhar contra ela, que é a única maneira viril de lamentá-la. Ele insistiu que o homem entusiasmado e altruísta fosse amado.

3 DE JANEIRO

Em 3 de janeiro de 1880, José Martí chegou a Nova York. Ele havia deixado o território espanhol, de onde havia sido deportado de Cuba em setembro de 1879.

Em sua viagem aos Estados Unidos, ele primeiro fez uma curta estadia na França.

Em 1882, ele publicou sua Seção Constante em La Opinión Nacional de Caracas. No primeiro dos cinco tópicos discutidos, ele expressa sua opinião sobre os tradutores.

Ele ressalta: “Ninguém traduz bem, a não ser aquele que, por um favor especial da natureza, tem o dom de reproduzir na mente a época em que o autor traduzido escreveu e a vida íntima do autor, ou aquele que tem as mesmas dimensões e gostos do escritor que traduz.”

Ele também escreve sobre o pensador inglês William R. Gregg, que está, segundo Martí, “entre os mais fervorosos defensores da necessidade de um espírito liberal, científico e generoso para presidir as crenças religiosas dos homens destes tempos”.

Por fim, ele se refere aos vendedores de alimentos e bebidas que enriquecem às custas da saúde e da vida de seus clientes e denuncia os adulteradores.

Em 1892, Martí fez um discurso no Círculo Cubano de San Carlos, presidido pelo velho patriota José Francisco Lamadriz.

Lá ele apresenta um projeto para fundar um partido que unisse os cubanos. No mesmo dia e ano ele foi iniciado como Cavaleiro da Luz na Loja Perseverança.

4 de janeiro

Em 4 de janeiro de 1876, foi publicada na revista mexicana Universal uma resenha crítica de José Martí sobre a peça dramática Los Maurel , do escritor Roberto Esteva .

Sobre o teatro, ele afirmou que, para ser válido e perdurar, ele deve ser sempre um reflexo da época em que é produzido.

Em 1882, na Seção Constante de La Opinión Nacional, Caracas, Martí comenta um livro que será publicado em Paris e que contém uma série de artigos sobre os objetos que as mulheres usam em suas roupas e adornos pessoais.

Uma década depois, Martí visitou fábricas de tabaco em Key West e conversou com os trabalhadores.

Em 1894, ele escreveu para Adelaida Baralt e Angelina Miranda, esposa de seu amigo Gonzalo de Quesada y Aróstegui.

Também neste mesmo dia e ano ele enviou uma carta a Máximo Gómez. Ele lhe diz: “Não sei se minha vida teve momentos mais agradáveis ​​do que estes que estou vivendo, desde que recebi sua carta, toda ela cheia de sua grandeza natural; a quem amo como se fosse minha, e em quem tenho plena fé, de modo que não haveria namoro ou deleite que tornasse meu coração tão pleno e luminoso quanto esta sua carta; em que ele se revela a mim enquanto eu o pinto e o proclamo; e no qual ele me envia a autoridade de consciência necessária para darmos nossos passos finais com firmeza.”

Em outra parte desta carta ele aponta para Gómez: “Eu entendo a guerra assim: acordar com a primeira batalha, e não dormir até vencer a última.”

5 de janeiro

Em 5 de janeiro de 1875, uma das irmãs de José Martí, Mariana Matilde, conhecida como Ana dentro da família, morreu no México. Ele não descobriu isso na época, pois estava navegando para o México.

Em 1878, ele chegou a Acapulco, acompanhado de sua esposa Carmen Zayas Bazán, em sua viagem de volta à Guatemala. Em dezembro de 1877, ele se casou com Carmen na Cidade do México.

Nesta data de 1882, na Seção Constante publicada em La Opinión Nacional, Martí fala sobre o poeta quacre John Whitier, uma obra de Santo Agostinho impressa em 1475 e vendida em Londres naquela época, um príncipe russo condenado em Berlim a dois anos de prisão por fraudar um joalheiro, os medicamentos usados ​​para a falta de sono, a publicação de um Código Policial que fez sucesso em Paris, as minas do oeste dos Estados Unidos e os benefícios dos banhos de mar.

Cinco anos depois, em Nova York, Martí escreveu um poema para María Luisa Ponce de León, no qual recorda repetidamente sua terra natal.

Na parte inicial desta obra ele expressa:

Se fora da pátria, em que se acredita

A única luz, tudo é areia ao vento,

Onde, ó dor, colocarei meus pensamentos?

que escuridão e que aflição não são?

Em 1892, iniciou-se em Key West o processo de análise e aprovação das Bases e Estatutos secretos do Partido Revolucionário Cubano, elaborados por José Martí.

O primeiro artigo das Bases afirma: “O Partido Revolucionário Cubano é estabelecido para alcançar, com os esforços combinados de todos os homens de boa vontade, a independência absoluta da Ilha de Cuba e promover e auxiliar a de Porto Rico.”

As Bases têm 9 artigos. Os Estatutos especificam que o Partido Revolucionário, por meio das Associações independentes que são as bases de sua autoridade, tem um Conselho constituído em cada localidade com os Presidentes de todas as Associações nela existentes, e um Delegado e Tesoureiro, eleitos anualmente pelas Associações.

Os estatutos detalham 13 pontos que especificam os deveres das Associações, da Diretoria, do Delegado, do Tesoureiro e outros aspectos relacionados ao preenchimento de vagas e à realização de eleições.

Em 1892 Martí escreveu uma carta a José Dolores Poyo e dois anos depois foram publicadas três de suas obras em Patria: O Ano Novo, O Prato de Lentilhas e Conflito em Cayo.

6 DE JANEIRO

Em 6 de janeiro de 1877, José Martí chegou clandestinamente a Havana, vindo de Veracruz, no vapor Ebro. Ele viajou como Julián Pérez, ou seja, seu segundo nome e sobrenome.

Em 1882, outro de seus trabalhos sobre os Estados Unidos foi publicado em La Opinión Nacional de Caracas, Venezuela. Especificamente, ele descreve as atividades que ocorreram em Nova York no final de dezembro de 1881.

Ele observa: “Nova York é uma cidade muito movimentada atualmente: é uma celebração para os ricos e os pobres, para os velhos e os jovens. Estes são dias de gentilezas entre amantes, de efusão entre amigos, de alegria, medo e esperança nas crianças .”

Martí também diz: “Não há nada como viver para os outros, - que dá orgulho gentil e força.”

Dez anos depois, ele deixou Key West e foi para Tampa. Uma multidão o acompanha até o cais.

Em 1894, o jornal “Patria” publicou sua seção Em Casa, que aborda aspectos de uma festa de amigos realizada em Caracas pelo venezuelano Julio Sarría e a morte do porto-riquenho Alberto Valdés, de origem pobre que ascendeu à cultura real e livre, e que foi secretário da “guerrilha de Maceo”, um clube de homens silenciosos, sem outra paixão que a da fraternidade e da pureza.

Além disso, Martí analisa a atuação do violinista cubano Pedro Salazar, de quem considera que “além de seus títulos de artista, de cubano modesto e estudioso, a Pátria tem o prazer de reconhecê-lo com o não menos honroso título de homem caridoso”.

7 DE JANEIRO

Em 7 de janeiro de 1876, José Martí publicou outra crônica na Revista Universal do México sobre sua visita à Exposição de Belas Artes. Destaca uma pintura do pintor Santiago Rebull.

Ele descreve: “Dor feroz, amor feroz, o terror daqueles que pairam nas sombras e a energia revigorada pela luz, tudo foi acumulado e organizado em um todo ricamente detalhado pelo autor de A Morte de Marat.” E ele ainda enfatiza: “Toda obra bela, toda grande obra, redime de um momento de amargura.”

Em 1878, ele escreveu uma carta a Manuel Mercado.

Em 1882, na Seção Constante publicada em La Opinión Nacional de Caracas, ele escreveu sobre músicos alemães, uma peça russa que foi um sucesso em Paris, avanços na arqueologia pré-histórica, o avanço do livre pensamento no Japão e as causas da insanidade na Inglaterra.

Neste dia, em 1885, ele publicou uma crônica no La Nación de Buenos Aires, sobre as eleições nos Estados Unidos.

Em 1891, ele escreveu uma carta a Vicente G. Quesada.

Quatro anos depois, ele escreve para José Dolores Poyo. Ele diz a ela: “Nós nos veremos e depois conversaremos. Não tenha medo de mim. Eu sei sofrer e renovar. A covardia, ou mais de um homem inepto, nos atingiu desde o início na grande obra. Nós renasceremos. Hoje estamos cercados e ajudados por mais respeito e mais fé do que nunca; Não quero falar, nem poderia por causa da indignação e da tristeza."

Martí se referia ao fracasso do chamado Plano Fernandina, que consistia em trazer três expedições ao território cubano nos navios a vapor Amadís, Baracoa e Lagonda.

8 DE JANEIRO

Em 8 de janeiro de 1880, José Martí escreveu uma carta a Miguel F. Viondi de Nova York, na qual expressou: “As dores têm uma coisa boa: fortalecem”.

Em 1891, ele escreveu outra carta a James G. Blaine, Secretário do Departamento de Estado dos Estados Unidos, na qual lhe lembrava que havia escrito anteriormente para informá-lo de que o governo do Uruguai o havia nomeado Delegado para participar da Conferência Monetária Internacional e que ainda não havia recebido uma resposta do referido Departamento.

No ano seguinte, nesta data, Martí deixou Tampa e foi para Nova York, depois que as bases secretas e os estatutos do Partido Revolucionário Cubano foram aprovados pela Liga Patriótica Cubana.

Em 1894, ele escreveu uma carta ao General Antonio Maceo e no ano seguinte escreveu uma carta a Gualterio García, explicando uma missão a ser realizada. Ele lhe diz: “Você já sabe como eu trabalho. –noite e dia –só você me faz companhia: pela dor de te arrancar de casa, faz tempo que não te tenho ao meu lado; Agora é impossível para mim viver sem você.”

9 DE JANEIRO

Em 9 de janeiro de 1877, datada de Acapulco, José Martí escreve uma carta a Manuel Mercado na qual se despede do México. Ele lhe diz: “Só uma palavra – triste adeus! Estamos partindo agora: o navio está no porto. Nós retornaremos, porque deixamos muito do nosso coração aqui.”

Em 1880, foi nomeado membro do Comitê Revolucionário Cubano de Nova York. Fazia menos de uma semana que Martí havia chegado ao território norte-americano.

Em 1879, ele foi exilado de Cuba pela segunda vez por envolvimento em atividades conspiratórias.

Depois de ficar na Espanha por alguns meses, Martí conseguiu partir para a França e de lá se mudou para os Estados Unidos e foi morar especificamente em Nova York.

Naquela cidade, ele imediatamente fez contato com outros patriotas que ansiavam por continuar a guerra pela independência de Cuba.

Em 1886, outra obra sua foi publicada no La Nación, Buenos Aires, na qual ele discutiu vários aspectos da política nos Estados Unidos. E em 1894, de Nova York, Martí endereçou uma comunicação aos Presidentes dos Clubes do Conselho de Key West.

Ele escreve: “As instruções que recebo e as ordens que estou cumprindo de próprio punho, impõem-me o dever de imediatamente e sem rodeios comunicar aos Presidentes, bem como a todos os grupos revolucionários, que esta Delegação falharia em seu dever iminente e seria culpada da derrota de nossas aspirações, se, com linguagem menos precisa ou o menor atraso, deixasse de dizer a este Órgão do Conselho que, acima de qualquer obstáculo aparente ou hábitos de lentidão, é de absoluta e definitiva urgência levar a cabo, sem perder um momento, o esforço subscrito pelos clubes, se nada mais se pode aspirar, e qualquer outro esforço a que, no rompante de um merecido patriotismo, se possa aspirar.”

10 DE JANEIRO

Em 10 de janeiro de 1890, José Martí escreve ao amigo José Ignacio Rodríguez, explicando que não sabe quando irá para Washington.

No ano seguinte, nesta data, escreveu ao Ministro mexicano em Washington, Matías Romero, presidente do Congresso Monetário Internacional, e lhe disse: “No momento em que me preparava para lhe escrever anunciando que ontem finalmente havia recebido uma carta de resposta do Departamento de Estado, recebi, com prazer e gratidão, a carta em que se refere à minha nomeação, e tem a gentileza de me felicitar por isso, porque certamente para um amigo leal da América, uma ocasião feliz será usada a seu serviço.”

Em 1892, José Martí retornou à cidade de Nova York. De lá, ele escreve para Eligio Carbonell.

Ele ressalta: “Se esta Nova York não fosse tão desumana e triste, eu gostaria de tê-lo aqui ao lado do leito da minha doença, que continua, para depositar num longo aperto de mão o afetuoso agradecimento com que li sua carta.”

Mais tarde, ele se refere a um conceito muito significativo quando explica: “Nesta carta, ele expressa um conceito muito significativo quando explica: Aquele que pouco precisa é facilmente honrado.”
Os 172 anos de José Martí e a Atualidade do seu Pensamento
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